A CBF se negou a assinar o termo proposto
pelo Ministério Público que pedia a devolução dos pontos para a
Portuguesa, anulando o julgamento do STJD. Com isso, o MP deve entrar
com uma ação civil pública, o que significa levar a decisão sobre os
clubes rebaixados no ano passado - Fluminense ou Portuguesa - para a
Justiça comum. A posição da CBF foi tomada na tarde desta segunda-feira
após audiência em São Paulo no inquérito do MP que investiga
irregularidades no rebaixamento da Portuguesa.
“Não houve termo de compromisso. Eu propus o acordo,
o que não era minha obrigação, mas agora vamos pensar em uma ação civil
pública”, disse o promotor da Justiça do Consumidor, Roberto Senise
Lisboa. “A CBF não iria contrariar a decisão do tribunal esportivo.
Nunca fez isso e não faria agora”, afirmou Carlos Miguel Aidar, advogado
da entidade. A falta de acordo pode comprometer as datas de divulgação
da tabela do Campeonato Brasileiro, que deverá ser feita no dia 20 de
fevereiro, e até o início da competição. Fontes ligadas ao MP avaliam
que o caso não deve ter um desfecho em menos de dois meses.
Virgílio Elíseo, diretor de competições da CBF e que
participou da audiência, descarta aumentar o número de times. “Só
trabalhamos com uma tabela com 20 equipes. E com o Fluminense”. O caso
também pode estremecer a relação entre a CBF e a Fifa no ano da Copa do
Mundo. Na semana passada, a entidade mundial já havia cobrado
explicações sobre a situação do Brasileirão tentando evitar, ao máximo, a
discussão na Justiça comum.
Na última rodada do Brasileirão, o meia Héverton
foi escalado irregularmente contra o Grêmio. Recebeu dois jogos de
suspensão, mas só cumpriu um. A punição, no entanto, só foi publicada
depois da partida. Já André Santos foi expulso na final da Copa do
Brasil, mas não cumpriu suspensão e jogou na última rodada do torneio
nacional.
O Ministério Público argumenta que as punições
deveriam ter sido publicadas no site da CBF como exige o Estatuto do
Torcedor. Por causa da punição do STJD, o Flamengo apelou para a Corte
Arbitral do Esporte (CAS) e aguarda uma definição. Além do desrespeito
ao Estatuto do Torcedor, o inquérito do MP continua investigando as
razões da escalação de Héverton. Nessa vertente, muitas questões estão
abertas. O promotor afirma que os diretores da Portuguesa receberam e
abriram um e-mail com a informação da punição, mas ela não chegou ao
técnico. A suspeita do MP é de suborno para funcionários do clube.
Liminares
Paralelamente aos desdobramentos do inquérito do MP, a CBF trabalha para cassar as liminares que sustentam a Portuguesa na Série A. São três ao todo: duas na Justiça de São Paulo e uma em São José do Rio Preto. Uma liminar concedida à Associação Brasileira do Consumidor (ABC) prevê multa de R$ 500 mil caso a tabela seja divulgada sem a Portuguesa.
Paralelamente aos desdobramentos do inquérito do MP, a CBF trabalha para cassar as liminares que sustentam a Portuguesa na Série A. São três ao todo: duas na Justiça de São Paulo e uma em São José do Rio Preto. Uma liminar concedida à Associação Brasileira do Consumidor (ABC) prevê multa de R$ 500 mil caso a tabela seja divulgada sem a Portuguesa.
A multa seria diária a partir do dia 20 de
fevereiro. Gabriel Ribeiro Alves, advogado do movimento “Todos Vamos à
Luta”, que apoia torcedores que queiram entrar na justiça a favor da
Portuguesa, explica que as teses utilizadas para derrubar as outras
liminares - a falta de legitimidade do torcedor para defender o clube -
não podem ser usados para a associação. “Para cassá-la, é preciso usar
outros argumentos”.
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