A Copa do Mundo será no Brasil e dezenas de
cidades esperavam o evento com ansiedade para receber alguma seleção nas
semanas que antecederão o Mundial. A realidade, entretanto, é que mais
de um quarto das seleções que estarão na Copa optou por fazer sua
preparação longe dos centros escolhidos pela Fifa para receber os times
pelo País. Bem longe, aliás. Pelo menos nove equipes vão se preparar
para o Mundial nos Estados Unidos e não no Brasil.
A Inglaterra, por exemplo, optou por se instalar em
Miami, uma cidade com clima parecido com o que o time de Wayne Rooney
vai encontrar no Nordeste. A equipe inglesa já tem até um amistoso
marcado para a cidade norte-americana contra Honduras, outra seleção
classificada para a Copa. O México também viajará aos Estados Unidos e
disputará um amistoso em Arlington, no Texas, contra o Equador. A
seleção norte-americana, por motivos um pouco mais óbvios, também vai se
preparar nos Estados Unidos, onde fará três amistosos entre os dias 26
de maio e 7 de junho. Até a atual campeã do mundo, a Espanha, optou por
montar a sua base em Washington.
Oito dias antes de disputar seu primeiro jogo no
Brasil, contra a Holanda, em Salvador, os espanhóis deverão realizar um
amistoso na capital norte-americana. O número de seleções que estarão
nos Estados Unidos antes do Mundial é tão grande que a Major League
Soccer (MLS), liga profissional de futebol do país, conseguiu organizar
um torneio com times que, semanas depois, estarão no Brasil. O evento
vai envolver Nigéria, Grécia, Costa do Marfim, Bósnia-Herzegovina e
Espanha, seleções classificadas para a Copa. As equipes de Bolívia e El
Salvador foram convidadas para completar os grupos.
O torneio Road to Brazil (Caminho para o Brasil)
ocorrerá às vésperas da Copa e os dirigentes da MLS disseram que esperam
arrecadar um “bom dinheiro” em ingressos, marketing e direitos de
televisão, tudo o que dezenas de cidades do Brasil apenas sonharão em
ter. BENEFÍCIOS - Cada federação tem sua explicação para a escolha dos
Estados Unidos como local de preparação, mas praticamente todas apontam
três grandes vantagens: treinar no país garante que a seleção estará
distante de manifestações no Brasil, o clima norte-americano é parecido
com o que vão encontrar na Copa e o fuso horário é praticamente o mesmo.
A Fifa exige que as seleções estejam no Brasil no dia 7 de junho e
algumas chegarão só nesse dia, o que frustrou dezenas de cidades que
desejavam lucrar com amistosos.
O Comitê Organizador Local (COL) da Copa credenciou
83 Centros de Treinamento de Seleções pelo Brasil afora e muitas
prefeituras fizeram pesados investimentos para estarem prontas. Esta não
é a primeira vez que a Copa acaba com a esperança de cidades que
fizeram gastos para tentar seduzir seleções. Em 2010, praticamente
metade das seleções classificadas para o Mundial da África do Sul
escolheu a Europa para realizar sua preparação para a Copa. Elas só
chegaram ao continente africano nos últimos dias. Os argumentos para
essa escolha eram praticamente os mesmos usados agora.
O fuso horário entre a Europa e a África do Sul era
o mesmo e as condições climáticas, parecidas, mas a segurança e a
tranquilidade eram as vantagens. A Coreia do Norte, por exemplo, treinou
em segredo na estação de esqui de Anzere, na Suíça, controlando cada
movimento de seus jogadores. Já a Costa do Marfim foi para Montreux,
também na Suíça. Paraguai, Argélia, Suíça, Grécia, Japão, Itália,
Sérvia, Inglaterra e França também usaram os Alpes para treinar.
Um dos motivos da escolha dos Alpes foi o fato de
que cinco das nove cidades-sede da Copa de 2010 estavam acima de 1.300
metros de altitude. A final foi disputada em Johannesburgo, a 1.750
metros. Na época, até mesmo os governos de Angola e Zimbábue fizeram
investimentos em CTs e estádios, esperando que alguma seleção optasse
por se preparar em seus países, o que jamais ocorreu - embora o Brasil
tenha disputado amistosos em Zimbábue e na Tanzânia.
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