Ex-vice da Fifa, Warner promete denunciar escândalo e diz temer por sua vida
Ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner prometeu nesta quarta-feira
(3) que vai revelar novos fatos que devem abalar a entidade e seu
presidente, Joseph Blatter. Em comunicado pela televisão em rede
nacional, o atual membro do Parlamento de Trinidad e Tobago indicou que
estaria recebendo ameaças. "Eu realmente temo por minha vida",
declarou. "Nem mesmo a morte vai parar a avalanche que está por vir. Não
há como voltar atrás. Vamos deixar as fichas caírem onde elas devem
cair", declarou Warner, em tom enigmático. "Não vou mais esconder
segredos daqueles que realmente querem destruir o meu país", disse o
ex-ministro da Segurança Nacional de Trinidad e Tobago. Warner não
revelou quais novos fatos devem atingir a Fifa. No entanto, afirmou ter
documentos e comprovantes que ligam funcionários da entidade, incluindo
Blatter, às eleições de 2010, em Trinidad e Tobago. Naquele ano, Warner
foi eleito com a maior votação do Parlamento nacional. Ele pretende
entregar estes documentos à Justiça. "Eu peço desculpas por não ter
revelado estas informações antes", declarou. O ex-dirigente esportivo
trinitino é um dos 14 indiciados pela Justiça dos Estados Unidos na
investigação que pretendeu sete cartolas da Fifa na quarta-feira
passada, em Zurique. Warner não foi preso porque estava em Trinidad e
Tobago. Afastado da entidade, não podia participar do congresso
realizada entre quinta-feira e sábado. Ex-presidente da Concacaf e
ex-membro do Comitê Executivo da Fifa, ele responde a acusações de
fraude, extorsão e lavagem de dinheiro. Dois dos seus filhos, Daryan e
Daryl, não apenas confessaram acusações relacionadas como foram
delatores das denúncias que abalaram a Fifa durante a investigação da
Justiça norte-americana. Warner poderá ser extraditado para ser preso
nos Estados Unidos. O trinitino deixou o futebol em 2011, para evitar
punições da Fifa em um escândalo durante a eleição presidencial da Fifa
naquele ano. "Eu reitero que sou inocente de qualquer acusação. Eu estou
longe da política no futebol mundial para mergulhar na melhoria da vida
neste país onde eu irei, se Deus quiser, morrer", declarou Warner na
semana passada, ao ser informado sobre as investigações.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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