As mudanças foram aprovadas no Congresso e constam na Medida Provisória
665, que restringe o acesso a benefícios trabalhistas com o objetivo de
cortar gastos públicos obrigatórios
As restrições aprovadas pelo Congresso para a concessão de
seguro-desemprego poderiam ter afetado até 1,3 milhão de trabalhadores
se as novas regras já estivessem em vigor no ano passado. O cálculo é do
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais e
Econômicos) e foi apresentado na edição de ontem do jornal Folha de São
Paulo.
No estudo, a entidade considera os beneficiados do ano
passado que não haviam trabalhado por 12 meses ininterruptos antes de
fazer o primeiro pedido de benefício do seguro-desemprego, o tempo de
nove meses para a segunda solicitação do benefício e de seis meses para a
terceira. Pela regra anterior, essa exigência era de seis meses
ininterruptos de trabalho antes de fazer o pedido.
As mudanças
foram aprovadas no Congresso e constam na Medida Provisória 665, que
restringe o acesso a benefícios trabalhistas com o objetivo de cortar
gastos públicos obrigatórios, o chamado ajuste fiscal.
O 1,3
milhão que havia trabalhado menos de 12 meses representa 16% dos 8,165
milhões de assalariados que no ano passado receberam R$ 31,893 bilhões
de seguro-desemprego. Do total de pedidos feitos no ano passado, 43%
solicitaram o benefício pela primeira vez. Nos cálculos do Dieese, a
economia ao governo se não tivesse que pagar o benefício a essa parcela
seria de R$ 5,9 bilhões.
A maioria dos trabalhadores afetados
pelas novas regras pertence ao setor de serviços, comércio e construção
civil. Entre os que deixariam de receber o benefício, 43% têm de 18 a 24
anos e quase metade tem apenas o ensino médio completo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIOS: