Um ano e meio depois do Tribunal
Superior Eleitoral rejeitar o primeiro pedido de registro de criação da
Rede Sustentabilidade, o grupo político da ex-ministra Marina Silva
deve estrear na urna eletrônica em 2016 na condição de “nanico”.
Contratado
como advogado do partido, o ex-ministro do Superior Tribunal Federal
Sepúlveda Pertence apresentou ao tribunal na quinta-feira as 50 mil
assinaturas, devidamente certificadas, que faltaram em 2013 para que a
Rede alcançasse as 492 mil exigidas pela lei.
Quando sair do
papel, a nova legenda contará com uma estrutura pequena, orçamento
espartano e pouca militância de, no melhor cenário traçado pelos
próprios dirigentes, três deputados federais e um senador.
© Fornecido por Estadão
A fundadora da Rede e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva
De acordo com a nova legislação eleitoral do TSE, aprovada na
minirreforma eleitoral de 2013, os novos partidos terão direito a apenas
0,15% dos recursos do Fundo Partidário reservado a todos os partidos.
Segundo
levantamento do Estadão Dados, isso significa que a Rede contará com R$
1,3 milhão para gastar em 2015. Para efeito comparativo, esse valor é
menor do que o orçamento anual do radical Partido da Causa Operária
(PCO), que conta com R$ 1,4 milhão em caixa e nunca elegeu um deputado.
Isso deve acontecer porque, como o novo partido não existia na última
eleição, não recebeu votos. Logo, só terá direito à parcela dos recursos
divididos entre todas as legendas existentes.
Com quatro
deputados em sua bancada, o PSOL contará com R$ 15 milhões. Já PT e PMDB
terão direito a R$ 108 milhões e R$ 89 milhões, respectivamente.
“Faremos a diferença com a nossa atuação. A Rede surgirá como a primeira
organização não governamental do planeta que se transformará em
partido. Por mim, acabariam o Fundo Partidário e o tempo de TV. O
dinheiro estragou os partidos”, minimiza o deputado Miro Teixeira
(PROS-RJ). Decano da Câmara, ele será o principal nome da Rede na
Câmara.
Na TV. Nas campanhas municipais de 2016, o partido de
Marina contará com um tempo exíguo, já que 89% do espaço será dividido
conforme o tamanho das bancadas eleitas em 2014. O restante será
dividido entre todos os partidos.
“Não teremos uma grande
bancada”, reconhece Pedro Ivo, membro da direção executiva da legenda em
gestação. O número de militantes da Rede também é ínfimo em relação aos
partidos que já estão na praça. São 5.754 “marineiros” registrados,
segundo informou a assessoria de imprensa da legenda. É bem menos que o
pequeno PSOL, que conta com 104.845 membros de carteirinha. O PT, por
sua vez, tem cerca de 1,7 milhão de cadastrados.
Raiz
O
grupo político de Marina rachou depois do 1.º turno da eleição
presidencial. Derrotada na chapa do PSB, a ex-ministra decidiu apoiar o
senador mineiro Aécio Neves (PSDB) no 2.º turno. Os “marineiros” da ala
mais à esquerda, no entanto, decidiram fundar um outro partido, o Raiz
Movimento Cidadanista. Embora a assessoria da Rede afirme que o grupo
está organizado “politicamente” em todos os Estados, a informação sobre o
número de diretórios da sigla é vaga.
“A Rede está se enraizando
em um processo de formação de Elos Estaduais – um conceito que se
sobrepõe à definição de diretórios adotados por outros partidos”, diz
seu texto.
Se passar a atuar organicamente na Câmara, o partido
de Marina deve atuar afinado com o bloco de oposição ao governo, mas não
de forma sistemática. “Eu não vejo possibilidade de pensar em
impeachment. Não há fato concreto”, diz Teixeira.
Deve, porém,
combater o pacote de ajuste fiscal. Seus dirigentes afirmam que não
cogitam lançar Marina para disputar alguma prefeitura. A ideia é
prepará-la para a grande disputa presidencial de 2018.
No ano que
vem, ideia é lançar candidatos próprios onde for possível. Onde não, os
marineiros subirão em palanques de aliados como o PPS e PSB.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIOS: