Senado aprova MP do Futebol; confira novas regras
Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado
O Plenário do Senado aprovou nesta segunda-feira (13) a MP 671/2015
(conhecida como MP do Futebol), que refinancia as dívidas fiscais e
trabalhistas dos clubes de futebol. Ela impõe exigências de gestão e
responsabilidade fiscal que os clubes devem cumprir se quiserem
participar do programa de refinanciamento. Além disso cria novas
loterias, cuja arrecadação será revertida para programas de iniciação
desportiva e para o futebol feminino. Como o texto original da MP sofreu
mudanças na passagem pelo Congresso, a versão aprovada pelo Senado
ainda precisa ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff. De acordo
com a Agência Senado, o parcelamento facilitado é feito através do
Programa de Modernização do Futebol Brasileiro (Profut), ao qual os
interessados devem aderir. A partir daí, os clubes poderão dividir seus
débitos em até 240 parcelas de no mínimo R$ 3 mil, contando com redução
de 70% das multas, de 40% dos juros e de 100% dos encargos legais. As
primeiras 60 parcelas poderão ser reduzidas em até 50%, mas esse
desconto deverá ser coberto posteriormente. Os clubes se comprometem a
reduzir o déficit para 10% da receita anual a partir de 2017, e 5% a
partir de 2019. A permanência no Profut é condicionada ao cumprimento de
uma série de práticas de gestão e responsabilidade fiscal.>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
Os clubes não poderão mais antecipar receitas, como os direitos de
televisão, previstas para depois do término da gestão vigente (exceto um
limite de 30% para reduzir a dívida), e deverão limitar seus gastos com
folha de pagamento de atletas a 80% dos rendimentos. Entre outras
regras estão o pagamento em dia de salários e direitos de imagem, a
limitação do mandato presidencial (quatro anos e uma reeleição), a
regularidade das obrigações trabalhistas e tributárias e a manutenção de
conselho fiscal autônomo. Os dirigentes responsáveis pelos clubes
passam a ficar passíveis de responsabilização individual por atos de
gestão temerária praticados durante seus mandatos. As penas são o
afastamento do cargo e a inelegibilidade na agremiação por período de
até dez anos, além da possibilidade de responder solidariamente por atos
irregulares praticados em gestões anteriores. O cumprimento das
responsabilidades pelos clubes será fiscalizado por um novo órgão: a
Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut), criada no âmbito do
Ministério do Esporte. Ela terá a prerrogativa de comunicar à Receita
eventuais descumprimentos, que implicam em rescisão do refinanciamento, e
de receber denúncias em relação a más prática de gestão. As federações
estaduais e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também são alvo
da MP, que estabelece para elas regras de transparência na gestão
semelhantes àquelas que são cobradas dos clubes participantes do Profut.
As entidades organizadores de competições ficam também obrigadas a
punir com rebaixamento os clubes que não cumprirem regularmente com as
obrigações trabalhistas e tributárias - independentemente de adesão ou
não ao programa de refinanciamento. Outra mudança promovida pela MP no
funcionamento das federações diz respeito às eleições internas para a
presidência. A proposta expande o colégio eleitoral, incluindo todos os
clubes das duas primeiras divisões da principal competição organizada
pelas entidades - os respectivos campeonatos estaduais ou, no caso da
CBF, o campeonato brasileiro. A MP cria também duas loterias para
angariar recursos para os clubes, além da já existente Timemania.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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