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29 de novembro de 2013

Notícias:Como gerente, Dirceu terá bastante trabalho no hotel

Na mesa do futuro gerente administrativo, problemas não faltarão


Ex-gerente do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o agora condenado por corrupção José Dirceu poderá exercer seus talentos de “capitão do time” para administrar os problemas de seu novo emprego no hotel Saint Peter, em Brasília. Muito diferente da sala no 4ª andar do Palácio do Planalto, com vista livre para a Praça dos Três Poderes, o novo endereço do ex-ministro será um espaço no subsolo do hotel, em um corredor mal iluminado próximo à garagem.  

Na mesa do futuro gerente administrativo, problemas não faltarão. Ainda assim, nada se compara a uma cela do sistema penitenciário de Brasília, de onde poderá sair todos os dias por nove horas. Se José Dirceu realmente se envolver no dia a dia do Saint Peter, terá que lidar, por exemplo, com as constantes reclamações dos hóspedes sobre a lentidão no serviço de balcão e a confusão no café da manhã, com constantes problemas de manutenção e com uma reforma que, apesar de já durar dois anos, não parece ter melhorado muito a qualidade do hotel. 

Nas diárias, o Saint Peter se compara a outros hotéis de luxo de Brasília. Um quarto em um dia de semana custa em torno de R$ 300 - menos em sites de descontos, bem mais na tarifa de balcão. No entanto, não oferece alguns serviços básicos. Garagem, por exemplo. Localizado na área central de Brasília, o Saint Peter tem como um dos seus pontos fortes a proximidade com a Esplanada e a área comercial da cidade. Justamente por isso, à sua volta não existem vagas públicas. 

Na chegada ao hotel, o hóspede de carro pergunta aos quatro porteiros onde, então, pode estacionar. A resposta é um dedo apontado para o outro lado da rua, em um arremedo de estacionamento, pago. Ao descer, ouve o grito, de longe: “moça, tem mala para carregar?”. Uma recepção não muito promissora. A reportagem do Estado se hospedou no hotel. Um prédio de 30 anos, construído pelo então deputado Sergio Naya, já falecido, e leiloado em 2004 para pagar as indenizações às vítimas do desabamento do edifício Palace II, construído pelo ex-deputado, o Saint Peter enfrenta uma reforma geral há dois anos. 

Hoje, estão fechados o quarto andar, a sauna e a academia. Mas, nos andares onde a reforma já passou, o resultado não é muito animador. No corredor, escuro, o carpete cheio de manchas parece ter muito mais do que dois anos. O quarto usado pelo Estado ainda tinha as etiquetas do fabricante dentro do armário, mas a tranca da porta da sacada estava quebrada, quinas do piso de granito estavam lascadas e as lâmpadas eletrônicas enfiadas no lugar de spots dão um certo ar de desleixo. 

Mais do que isso, a cama de casal minúscula, o ar condicionado central, antigo, sem controle de temperatura, a tevê a cabo com pouco mais do que o mínimo de canais e o chuveiro, elétrico, fazem duvidar do valor cobrado na diária. No saguão do hotel a reforma começa em dezembro, de acordo com os funcionários. Apesar de razoavelmente bem cuidado, espelhos de tomadas e do botão de elevador faltando mostram a dificuldade com a manutenção do hotel. Ainda assim, não faltam hóspedes ao hotel. 

Como a maioria dos estabelecimentos em Brasília, consegue ter uma lotação acima de 80% nos dias de semana, na época em que o Congresso está em sessão. Também se dá ao luxo de manter no cardápio um misto quente por R$ 18, uma fatia de pudim pelo menos preço, um frango grelhado por R$ 39,90 e um salmão grelhado por R$ 49,90 - preços que quase tornam factível o salário de R$ 20 mil anotados na carteira de trabalho de José Dirceu. 

Entre seus futuros colegas, ninguém sabe exatamente o que Dirceu vai fazer. Alguns gerentes não negam que mão-de-obra extra seria bem-vinda em um hotel de mais de 400 quartos, mas nem a direção do grupo Mundial, dono do estabelecimento, nem a gerência geral se deram ao trabalho de explicar qual será a função do novo empregado. Sua suposta sala também não está pronta. No subsolo do hotel, onde deverá trabalhar, o ex-deputado não terá direito a maior vantagem do Saint Peter, a sua vista livre para a Esplanada dos Ministérios. 

Lá embaixo, onde ficam os escritórios - com exceção do comercial, que está no mezanino - há uma cozinha, salas de equipamentos, uma sala de lazer para os funcionários e a garagem, hoje ocupada por material de construção. Mas, pelo menos José Dirceu sairá às 17h - horário limite para poder voltar à Papuda, pelas normas do regime semiaberto - e sairá antes de ver uma das desvantagens do local: a zona de prostituição e venda de drogas que se forma na região ao cair da noite.
 
Fonte:correio24horas

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"