E após o calote de cerca de R$ 3 bilhões de um dos acionistas da
operadora portuguesa, a empresária anunciou uma oferta, por meio da
empresa Terra Peregin, para comprar 50,1% da holding PT SGPS por € 1,2
bilhão (cerca de R$ 3,78 bilhões). A proposta, porém, está condicionada à
paralisação da união entre Oi e PT. Por isso, ela voltou a ser um
obstáculo à empresa carioca. Mas o império empresarial de Isabel não se
limita às telecomunicações. Ela também é dona de 42,5% do Banco BIC, o
maior banco comercial de Angola e que, recentemente, segundo a “Forbes“,
expandiu sua atuação para a Namíbia.
Em Portugal, antiga metrópole colonial do país governado por seu pai,
Isabel possui 50% da operadora de TV a cabo e internet Zon Optimos, além
de 7% da petrolífera Galp Energia.Casada e mãe de três filhos, Isabel
vive em Luanda. De acordo com a lista de bilionário da “Forbes”, ela
detém uma fortuna de US$ 3,7 bilhões. No ranking de bilionários da
publicação americana, ela aparece em 2014 na 442ª posição, tendo
avançado significativamente frente a 2013, quando estava no 736º lugar.
Além de ser listada como a pessoa mais rica de Angola e a mulher com
mais dinheiro na África, também é citada como a sétima pessoa mais rica
do continente. Segundo o jornal português “Expresso”, Isabel é discreta.
É avessa a entrevistas e não se deixa fotografar. Além disso, é cercada
principalmente por executivos portugueses.
No artigo “A menina do papai: como uma ‘princesa’ africana reuniu US$ 3
bilhões em um país que vive com US$ 2 por dia” (em tradução livre),
publicado em agosto de 2013 na “Forbes”, o jornalista e ativista
angolano Rafael Marques e Kerry A. Dolan, uma das coordenadoras da lista
de bilionárias da revista, tentam mostrar a origem da riqueza de
Isabel. “Todos os grandes investimentos angolanos detidos por Isabel vêm
de ficar com uma parte de uma empresa que quer fazer negócios no país
ou de um assinatura presidencial que a inclui na ação”, diz o texto, que
considera que a história da empresária é considerada “uma janela rara
para a mesma e trágica narrativa cleptocrática que estrangula os países
ricos em recursos em todo o mundo”.
Ainda segundo o artigo da “Forbes”, “se o presidente for tirado do
poder, ele pode recorrer à fortuna de sua filha. E, se ele morrer na
presidência, ela mantém o saque na família. Isabel pode decidir, se for
generosa, dividir parte disso com seus sete meio-irmãos conhecidos. Ou
não. Os meio-irmão são conhecidos em Angola por se desprezarem”. (O
Globo)
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