Decisão, que obriga Congresso a analisar a versão do Supremo, não tem os cortes efetuados pela presidente Dilma
Rosa Weber, do STF, determinou que o Congresso vote
a previsão orçamentária para 2015 do Judiciário e do MP, e não a versão com
cortes efetuados pela presidente Dilma Rousseff - Nelson Jr. / STF/SCO/STF
BRASÍLIA
– A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta
sexta-feira que o Congresso Nacional vote a previsão orçamentária para 2015 do
Judiciário e do Ministério Público conforme proposto pelo STF e pela
Procuradoria Geral da República, e não a versão com cortes efetuados pela
presidente Dilma Rousseff. A proposta original inclui aumento salarial para
servidores, juízes, promotores, procuradores e ministros de cortes superiores e
do próprio Supremo.
O aumento dos salários do Judiciário foi aprovado em sessão
administrativa do STF no dia 28 de agosto. Os vencimentos de ministros do
Supremo correspondem ao teto do funcionalismo público e está fixado em R$
29.462 desde janeiro deste ano. A proposta estabelece o novo valor em de R$
35.919. O aumento é de 22%. Antes de enviar o Orçamento de 2015 para o
Congresso, Dilma vetou os aumentos.
A decisão
de Rosa Weber obriga o Congresso a analisar a versão enviada pelo STF e pela
Procuradoria, mas não determina que a proposta seja aprovada. O plenário do STF
ainda vai analisar o assunto, podendo manter ou derrubar a liminar da ministra
no futuro. A decisão foi tomada a pedido do procurador-geral da República,
Rodrigo Janot.
“Impõe-se o deferimento de liminar que assegure
ao Poder Legislativo o conhecimento irrestrito das propostas orçamentárias
apresentadas pelo Poder Judiciário, incluído o Conselho
Nacional de Justiça, pelo Ministério Público da União e pelo Conselho Nacional
do Ministério Público, como integrantes do projeto de lei orçamentária anual de
2015”, escreveu a ministra. “É do Congresso Nacional o papel de árbitro da
cizânia, pois, ao examinar, em perspectiva global, as pretensões de despesas
dos Poderes e órgãos autônomos da União, exercerá o protagonismo que lhe é
inerente na definição das prioridades”, concluiu.
Se
aprovado no Congresso, o aumento vai refletir em toda a magistratura
brasileira. Isso porque os vencimentos da categoria funcionam de forma
escalonada: o salário de ministros de tribunais superiores e do Tribunal de
Contas da União (TCU) – que é do Legislativo – corresponde a 95% dos salários
de ministros do STF. Na mesma lógica, o salário de desembargadores de Tribunais
de Justiça corresponde a 95% do valor pago a ministros de tribunais superiores.
A primeira instância, por sua vez, recebe salário 5% menor que o pago aos
desembargadores.(por Carolina Brígido/O Globo)
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