A eleição deste domingo provavelmente será definida pelo estado de miserabilidade que marca a região Nordeste, basicamente a Bahia, onde a zona rural e todo o imenso semi-árido do estado são povoados por uma população que se ressente da ausência de emprego. A fome, a partir de um solo árido e seco, marca o Nordeste. Como consequência, os brasileiros da região são reconhecidos pela baixa estatura, estabelecendo-se uma desigualdade em relação à altura, em média, da população do resto do País.
O programa Bolsa Família, absolutamente necessário para minorar a fome, controlado pelo governo da República, passou a ser marcante como alavanca eleitoral. É retribuído pelo voto de uma imensa população desigual em relação à educação e à informação. Sem o programa, a fome se alastraria e, com ela, as doenças. De outro modo, geraria uma população dependente por não ter a menor noção do que, de fato, é o Brasil. Aliás, o interior nordestino é absolutamente desinformado.
Assim, o Bolsa Família passou a ser um programa necessário, mas populista, cujos beneficiários retribuem com a única coisa que podem oferecer: o seu voto. Além de o Nordeste ser uma região pobre, carente, é de há muito governado (todos os estados) por políticos de baixa qualidade, pelas oligarquias que se alternam nos governos estaduais dentro da própria família, onde agem de forma imperial, além de se tornarem imensamente ricas a partir do saque e desvios dos recursos oriundos da pobreza.
Dilma Rousseff é apenas uma consequência do populismo petista, cuja origem está no próprio Nordeste. É curioso que, dentro deste sistema político que nasceu na base sindical paulista, já não está presente, como antes, naquele estado. Assim como mudou a concepção da presidente que, na sua juventude, se lançou à luta armada (embora não se tenha notícia de que ela tenha praticado) em defesa da liberdade dos brasileiros que estavam aprisionados por uma ditadura insana, que utilizava de práticas desumanas, como a tortura, para se manter no poder.
Esta é a realidade do País, o que não significa, naturalmente, que Dilma deva ser sacrificada na eleição. Não é por aí. Ganhe quem ganhar, ela ou Aécio, o Brasil continuará o mesmo de sempre. É uma marca do subdesenvolvimento que engloba todo o Nordeste, especialmente a Bahia por ser o maior estado da região. O País é marcado por manchas regionais, algumas ricas – como o Sudeste, que avança na direção do Centro-Oeste, - e outra pobres e carentes e, aí, inclui-se o Norte.
O fato, em retorno à origem deste texto, é que estamos a quatro dias das eleições. Há o que festejar, sim, porque este domingo, embora com todos os problemas, o País ascendeu a um patamar democrático, da liberdade dos seus cidadãos, com exceção das imensas manchas da pobreza, que ainda está aprisionada à troca da alimentação pelo voto, enfim pela ausência de trabalho. Quando há oferecimento do trabalho pagam-se salários vis e extorsivos que, para muitos, é melhor não trabalhar. Prefere-se viver na dependência do Bolsa Família.
Já nos anos 50 do século passado Luiz Gonzaga chorava a tristeza sertaneja na sua sanfona: “Mas meu Deus uma esmola/para um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Ainda continua assim.(por Samuel Celestino/ATarde)
* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (23) do jornal A Tarde
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