Os agentes protestam contra a alteração na lei 9.266, assinada pela
presidente Dilma Rousseff no último dia 13, que inclui a definição de
que a Polícia Federal é parte da "estrutura básica" do Ministério da
Justiça.
A greve é realizada, ainda, por conta do não cumprimento do acordo
assinado com o governo federal, no final da greve de 2012, onde havia
sido prometida a modernização da carreira na PF e o reconhecimento das
atividades realizadas por todos servidores, ainda regidos por leis da
época da ditadura militar.
“A Polícia Federal está sendo destruída, enquanto a população brasileira
precisa do combate ao crime organizado e corrupção. Estamos sendo
engolidos pela burocracia. O servidor deve ser reconhecido pelo que faz,
e não pelo que está no papel. Queremos critérios de eficiência para as
chefias, independente do cargo, e o fim da politicagem dentro da PF”,
explica Jones Borges Leal, presidente da Federação Nacional dos
Policiais Federais (Fenapef).
Jones Borges, disse à Coluna Esplanada que a recente Medida Provisória
(MP) 657 seria um afago estranho aos delegados em meio à eleição e às
investigações de corrupção no governo, sendo uma ação decisiva para a
realização da greve.
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A MP beneficiou apenas o cargo de delegado, criando uma espécie de concurso para chefe no serviço público federal.
Confira na íntegra a nota:
A MP foi editada na calada da noite e em período eleitoral, contrariando
o artigo 73, inc. V da LEI 9.504/97, e através dela, Dilma tenta
enquadrar os Agentes da Polícia Federal e sua insistência em investigar
casos de corrupção.
Para os Agentes Federais a edição da MP 657 centraliza a direção e o
poder de todas as atividades da Polícia Federal em um só cargo, dentro
de uma carreira única constitucional composta por cinco cargos policiais
federais, o que une 90% dos servidores do DPF contra esse grave
atentado à democracia que retira a autonomia de investigação dos Agentes
Federais e dos Peritos Criminais que são responsáveis pela produção de
provas técnico-cientificas.
Essa MP foi editada às vésperas das eleições presidenciais,
coincidentemente quando veio à tona várias investigações onde membros do
mais alto escalão do governo federal aparecem como, supostamente,
envolvidos em escândalos de corrupção, o que certamente pode influenciar
no pleito eleitoral.
A estratégia de concentrar todo o poder do órgão em um só cargo e assim
controlar todas as investigações é semelhante a um golpe de Estado que
atinge a sociedade sorrateiramente bem como foi a PEC 37 (PEC DA
IMPUNIDADE) que era defendida pelos delegados de polícia como
instrumento de "autonomia e poder", mas que colocava a sociedade e o
Ministério Público como vítimas de um golpe antidemocrático que foi
combatido pelos Agentes Federais desde o nascedouro, e que a sociedade
acordou a tempo de ir às ruas em junho de 2013 para impedir tamanho
retrocesso defendido com "unhas e dentes" por delegados de polícia
contra a sociedade, e que hoje têm a MP 657 (MP DA IMPUNIDADE) como
espelho da PEC 37, em âmbito interno às investigações da Polícia
Federal, mas que atinge a sociedade tal qual a PEC 37.
Se a PEC 37 colocava como algozes da sociedade os delegados de polícia
na ânsia por poder, a MP 657 (MP DA IMPUNIDADE) retoma mais um capitulo
dessa história onde de um lado estão a sociedade e todas as instituições
democráticas, e de outro estão delegados de policia defendendo
prerrogativas, e concentração de poder, em detrimento da autonomia de
investigação de todos os outros cargos da PF, o que retrocede a
instituição atualmente mais bem avaliada pela sociedade aos tempos de
controle político de todas as atividades do órgão.
E para tentar demover o governo Dilma de tamanho retrocesso, os AGENTES
FEDERAIS da Bahia informam a população de que a partir da meia noite do
dia 22/10/2014 estarão entrando em greve geral como forma de protesto,
acreditando que a luta por uma Policia cidadã, moderna, e eficiente que
entregue uma prestação de segurança publica da forma como a população
almeja e merece, de forma rápida e consistente.
Essa é uma luta de toda a sociedade.
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